As aventuras e (principalmente) as desventuras de duas mulheres que não descem do salto
domingo, 22 de julho de 2012
A tribo
As amigas às vezes andam em tribo. A tribo das amigas é formada por outras amigas, seres basicamente semelhantes às amigas, mas com algumas particularidades. Às vezes, as amigas se reúnem com a tribo e coisas inusitadas acontecem.
Embora muito parecidas na essência, na sorte no jogo e no azar no amor, a tribo tem elementos que chamam a atenção e diferem, de certa forma, ao comportamento geral dos demais membros, tornando-se alvos de comentários, cochichos e doses suaves de piedade. Vou falar hoje de dois tipos.
A EX-CARETA - Na época da escola, era sisuda, estudiosa, aplicada e vestia basicamente cores terra, como marrom e bege. Nunca chamou a atenção de ninguém e nem sabia contar piada. Calada, tímida, casou-se muito nova, mas com o fracasso do casamento, decidiu se enturmar. O problema é que ela exagera na dose ao tentar participar da tribo. Dança com uma animação fora de contexto, fuma quando bebe (mas tosse), conta casos sem graça, tentando parecer interessante, e geralmente fala alto, com um entusiasmo que não faz parte do seu estilo. Atualmente fora de forma, usa roupas espalhafatosas e coloridas, mas mantém algumas características da caretice passada, como o corte de cabelo ou as bijuterias ultrapassadas. Participa apenas de alguns encontros da tribo, e é excluída de alguns programas e de conversas mais picantes ou perigosas. "Deixa a fulana ir embora que eu conto o que eu fiz na noite passada...".
A EX-PIRIGUETE - Era a menina mais bonita da cidade, e também a mais cotada. Ficou com praticamente todos os gatos do pedaço e também com os não tão gatos. Passava a régua, literalmente, na rapaziada, e por isso, já foi alvo de invejas, intrigas e disse-me-disses. Mas nada abalou sua autoconfiança, só mesmo o tempo. Com o tempo, ela percebeu que já não era mais aquela, os gatos começaram a pingar. Casou, mas sua necessidade de aventura pôs abaixo o relacionamento. Pronta para outra, ela descobriu uma verdade inevitável: juventude acaba. Preserva ainda traços de beleza, mas também preserva as velhas expectativas. Sai animada, vestida para matar (ela até que tem estilo). Mas em 99,9% das noites, ela termina tão solitária como quando chegou, e isso para ela é o fim da picada. Ao longo da noite ela murcha. Procura um assento confortável e nele se instala, com um ar de tristeza que corta o coração de quem nota. As olheiras começam a se destacar, e a pobrezinha é a visão do sofrimento. "Coitada da sicrana, tá tão pra baixo... Vamos lá, chamá-la pra dançar, quem sabe se anima..."
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